10.6.15

Primeiras Impressões | Obsessão Compulsiva

Verossimilhança. Essa é uma das palavras que a maioria dos autores parece não saber o significado, ou simplesmente o ignora. E é isso que faltou em Obsessão Compulsiva, a nova produção da Unbroken Productions, vulgo Produções Inteiras,  escrita por Everton Brito. Então, vamos lá.

Ok, antes de tudo, odiei essa logotipo. Me dá aflição ver Anne Hathaway, a minha atriz favorita, abraçando uma estátua com cara de um maníaco sexual
SINOPSE:
"Tudo acontece quando um homem aparece na vida de duas mulheres, Desirée (Anne Hathaway) e Cecília (Megan Fox). Alejandro (Jesus Luz) esse homem que encanta e é capaz de despertar sentimentos absurdos em alguém. A única saída para que esse amor acabasse seria a morte e foi isso que aconteceu. Mais quem será o assassino tão procurado por tantas pessoas? Então façam suas apostas, a busca vai começar."
A sinopse, logo de cara, já nos chama a atenção. Ver um "mais" ao invés de "mas" é frustrante. Além do mais (rimou), há certos pontos meio extremistas nela. "A única saída para que esse amor acabasse seria a morte". Gente, não seria melhor sentar e conversar, ou chorar, comendo sorvete e assistindo à Orange Is The New Black na Netflix? Vai entender...

Ok, vamos para os pontos positivos e negativos.

PONTOS NEGATIVOS

1. A falta de verossimilhança. Para quem não sabe verossimilhança significa, no literal, semelhança com a verdade. É um dos princípios da escrita e que muitos autores ignoram. Uma obra ser verossímil não significa que ela não possa ser uma ficção científica, apenas que tudo que deve ser mostrado deve ser abordado de forma plausível, que nos faça acreditar na história, assim como acontece em Raíza, The Witcher e derivadas. Em Obsessão Compulsiva a morte de Alejandro é passada para o leitor como um crime passional (movido no sentimento), mas as personagens durantes os diálogos mostram ter planejado tudo aquilo, de forma até psicopata. Acho que uma mulher traída iria querer apenas dar um tabefes no marido; e não planejar um assassinato e depois se entregar. Meio sem noção, não é mesmo?

2. Obra, se é que pode ser chamada disso, curta. Nem adianta os ociosos virem reclamar, HISTÓRIAS COM EPISÓDIOS/CAPÍTULOS CURTOS NÃO PRESTAM. Em Obsessão Compulsiva tudo foi contado em apenas uma cena. Pelo amor ao pai, não sou obrigado. 

3. Diálogos medonhos/toscos/estranhos.
CECÍLIA - Eu entrei na igreja no dia do seu casamento, eu apontei a arma e atirei, mas atirei com vontade. 
Dos mesmos criadores de "transando loucamente", vem aí "atirei com vontade".
CECÍLIA - Já que o destino não quis te deixar comigo... Eu também não vou te deixar com o destino.
A intenção foi fazer uma quote, mas acabou que ficou só tosco mesmo.
DELEGADO - Por que destruiu sua vida dessa maneira? 
CECÍLIA - Minha vida já estava fadada a seguir assim, eu não me importo. Cresci no meio de drogas e prostituição, o que restava de mim? O que eu tinha a perder com isso? É isso mesmo que você está pensando eu só tinha a perder ele, só isso.
Achei forçado ela revelar toda a sua vida em apenas uma pergunta. Poderia haver toda uma descrição da personagem oscilando, tremendo, chorando, e não um simples "minha vida já estava fadada a seguir assim". Desde quando alguém usa o determinismo para si mesmo. Everton, melhore!
CECÍLIA - Isso é impossível! Quem matou fui eu. 
DESIRÉE - O tiro veio da minha arma, ele morreu pelas minhas mãos.
Já vi mulher brigando por causa de homem, por causa de status, por causa de fofoca - Realeza Juvenil resume-se nisso -, mas nunca vi duas mulheres brigando para saber quem matou um cara.

4. Nenhum personagem foi descrito e as cenas de ação tiveram pouca descrição.
Ouve-se o barulho de tiro. Alejandro morre. Só consegue-se ouvir vozes e seus ecos. 
- O que está acontecendo? 
- Quem fez isso? 
- Quem matou Alejandro?
Não seria melhor assim?
OUVIMOS O SOM DE UM DISPARO. 
A bala atinge o peitoral de Alejando. Ele leva a mão na região ferida, olha para os lados, alarmado, e dobra os joelhos, zonzo. CAI NO CHÃO.
 Ele está MORTO.
OUVIMOS BURBURINHOS.
5. Pessoalidade. Por mais que em alguns roteiros americanos, às vezes, transparecem certa opinião de um autor, isso continua sendo inapropriado. Houve momentos em que o autor diz, "a cerimônia segue tranquilamente, como todos os casamentos", mas, caramba, que generalização da parte dele! Esse "como todos os casamentos" soa uma generalização vinda do próprio escritor. Raíza, por exemplo, foi morta em seu próprio casamento. Desde quando todos casamentos são tranquilos? Há outros momentos de impessoalidade, como esse: "A noiva foge da igreja e parece estar nervosa como se ela tivesse culpa do que aconteceu". Seria melhor: A noiva sai, às pressas, da igreja, transparecendo culpa e nervosismo.

6. Falta de conhecimento a respeito dos termos técnicos. Parece que o autor ficou perdido, não sabia conduzir a história, usando os tais termos. Se você não sabe, nem possui interesse em conhecer os termos técnicos, então, para quê vai escrever um roteiro? Não seria melhor um livro? A internet tá aí para isso, para auxiliar. Basta jogar no Google "como escrever um roteiro/script", garanto que isso já dá um upgrade.

7. Erros de ortografia e de coesão, esquecimento de vírgulas (principalmente em vocativos), entre outros.

PONTOS POSITIVOS

Desculpa, mas não há. Impossível achar algo bom nesse mini mini piloto, só mesmo Rubens Bradshaw, que deu o belo de um 7 para o episódio. A única coisa que o episódio me provocou foi belas risadas por toda a incoerência, mas fora isso... 

RECOMENDO? QUAL A NOTA?
Não, não recomendo, tanto que nem vou deixar o link do episódio aqui, evitando, assim, a sensação de "eu queria desver isso" em vocês, queridos leitores, ao ler o episódio. Nota 2, porque acho que seria muito radical da minha parte dar um 0 ou um 1 para alguma história, mas quem sabe alguém ainda faça jus à nota? A fall season tá aí para isso...

Fico por aqui, tchauzin!

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