Autor é censurado na MegaPro durante campanha #CensuraNão

Cristina Ravela
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No dia da independência, o autor Alessandro Fonseca saiu no tapa com um autor da MegaPro, por causa de Hotel Cassindrina e o movimento #CensuraNão.


#CensuraNão. O que motivou a confusão.


O dia 7 de setembro foi pesado: verde e amarelo de um lado, pretinho básico de outro, o vermelho saltando ali e muita gente p* após a censura na Bienal, feita pelo prefeito Marcelo Crivella. Até que um grito pôde ser ouvido vindo de alguém da plataforma MegaPro.

Alessandro Fonseca, autor da série Hotel Cassindrina desabafou em um grupo do Whatsapp sobre o ataque de Vinícius Guimarães a sua obra. Vinícius, que pretende lançar a série Família 21, sobre diversas formas de amor, e também escreveu um dos episódios da antologia Os Segredos dos Signos da MegaPro desceu o sarrafo em Cassindrina:

[...] é muito mal feito [...] É um pornô explícito de péssima qualidade.

A imagem abaixo revela os comentários completos de Vinícius Guimarães, após Alessandro desabafar no Facebook.



Em entrevista ao programa A Tarde é Nossa, de João Paulo Ritter, Vinícius Guimarães explicou o ocorrido e disse que embates com o autor de Hotel Cassindrina eram recorrentes no grupo MegaPro:

Ele posta muita coisa provocativa defendendo o atual governo, isso é um direito dele [...] Eu havia acabado de ler Hotel Cassindrina  e uma coisa me chamou a atenção; ele é a favor da censura de livros que houve na Bienal [...] mas a história dele é repleta de pornô gay, gente. Pornô gay de péssima qualidade[...]

Vejam os prints surrupiados do site ONTV:





"[...] parece um advogado de porta de cadeia"


Em sua defesa, entretanto, Alessandro Fonseca disse que quase surtou dentro do grupo da MegaPro por causa de alguns autores que, segundo ele, forçam o politicamente correto e acham que escrevem as melhores obras lacradoras.

 "O autor em questão falou que minha obra é horrível, pérfida, mal escrita somente por eu não concordar em fazer posts sobre a censura do gibi que continha um beijo gay e foi censurado na bienal. Daí ele veio me atacando. Essa foi a terceira vez que eu surtei com o pessoal do Megapro. A maioria dos autores só sabem escrever histórias lacradores e politicamente corretas, se acham os intelectuais, mas, porém, são uns bostas n'águas. E, com isso, soube de mais dois autores que também passaram por essa mesma humilhação lá. Surtei pela a última vez, fiz o post reclamando no grupo do atenta TV e depois saí. Cansei de todos os autores de lá, principalmente um que mais me parece um advogado de porta de cadeia. A maioria dos autores de lá não respeitam a opinião alheia e contraditória, são ferrenhos críticos ao atual governo, só fazem obras dizendo-se perfeitas e que são quase novelas de verdade, melhores que a nossa. Não suporto isso. Eles querem desmerecer nós autores que pensamos diferentes. E isso não foi a primeira vez que aconteceu."

Apesar disso, Alessandro não deseja o mal a eles, apenas que sejam menos arrogantes e parem de ter o ego maior que o "cool".





Surrupiei da ONTV, aceitem.

Foi uma discussão política fora dos grupos da MegaPro, garantiu Vinícius Guimarães


Ainda que tudo tenha levado a série Hotel Cassindrina para o meio da discussão, Vinícius Guimarães afirmou que o mote da briga foi política, já que ele não concordava com o posicionamento inicial e contraditório do autor em relação à censura na Bienal. Afirmou ainda, que a MegaPro em nada tem a ver com o episódio, mesmo João Carvalho tendo provocado no primeiro episódio da série ao marcar o presidente Bolsonaro.

Um tempo depois, porém, Alessandro contrariou suas próprias postagens ao afirmar não ser a favor da censura na Bienal, apenas que não se sentiu obrigado a participar da campanha #CensuraNão.

Veja imagem, Brasil!


Percebe que quando as pessoas não esquecem a ONTV no churrasco, estão relacionando a emissora a barraco. A confusão não ocorreu na ONTV, e sim na MegaPro.



Dadas as versões de ambas as partes, e considerando que Vinícius Guimarães expôs sua opinião sobre Hotel Cassindrina, chego a seguinte conclusão:


  • Nunca discuta política em um grupo destinado a emissora, se você não tiver disposto a ouvir opiniões diferentes, mas seja firme contra preconceito de todo tipo (de cor, raça, gênero);
  • Não escreva sobre algo que não apoia. Não faz sentido, por exemplo, falar de empoderamento feminino numa trama, para depois a autora detonar o feminismo nas redes sociais, dizendo coisas do tipo: "sorry, feministas, eu também AMO cuidar de um homem". Um exemplo, nada relativo a alguma realidade, tá?

  • Não espere que todos os autores vão escrever sobre temas atuais e tidos como polêmicos. Às vezes, é melhor a pessoa não entrar em temas que não sabe ou não quer debater, do que estereotipar a causa.
  • A MegaPro podia substituir o atual diretor de dramaturgia (ou quem analisa e aprova obras) pelo Vinícius Guimarães. Lembro de quando ele fez um comentário falando da falta de vírgulas em Coisas da Vida, de Débora Costa, após ela detonar e sair da emissora. Se o Vinícius lesse os primeiros capítulos de uma obra antes dela ir ao ar, certeza de que não seria necessário esperar um barraco para descobrirem que a MegaPro não está tendo cuidado com as suas produções.
  • Não houve censura na MegaPro, apenas uma briga política fora da emissora e um comportamento fora das regras da plataforma. O título é para você clicar na base do ódio mesmo. #pas.
Você, neste momento.


É isso, pessoal. O que você achou dessa confusão toda envolvendo a campanha #CensuraNão? Acredita que o autor de Hotel Cassindrina errou, ou somente a emissora, talvez os dois, quem sabe você prefere pão com mortadela ou coxinha? Sem brigas e me segue nas redes sociais!




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