5.5.17

Os 7 arquétipos para a construção de personagens que você precisa conhecer

Mesmo que você negue, os famosos arquétipos fazem parte da narrativa de qualquer enredo


"Ah, minha história não tem vilões"
"Minha história não tem mocinhos; todos cometem erros"

Talvez você já tenha deparado-se com essas frases, e já adianto que não existem ambos os casos. Essa é uma ideia bastante comum de que toda má reação só é gerada por causa de uma má ação, ou seja, todos os erros humanos podem ser justificáveis sem que você aponte o vilão da história. E entre sentir ódio e pôr em risco a vida de alguém inocente, há uma grande distância. Consegue me entender?




Ok, tudo bem, não precisa se estressar. Você é adepto a meter seu protagonista em crimes, atirando balas a torto e à direita, mas insiste em chamá-lo de mocinho, porque a palavra "herói" não parece apropriada? Você costuma dizer:  "prefiro escrever sobre pessoas comuns"? Ok, também.

Mas você sabia que o seu personagem pode começar com a proposta de ser um vilão e descobrir-se um anti-herói? Qual seria a diferença entre eles?

Logo abaixo você confere os 7 principais arquétipos para a construção de personagens e descobrirá, de cara, que todos eles (ou alguns) são importantes para o seu enredo, mesmo que não trate de super heróis.

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1. Herói  

O cara que guia a história, com um objetivo central de salvar a humanidade, salvar uma pessoa, desvendar um crime ou qualquer outra missão nobre que o faça sair de sua zona de conforto para encarar uma série de desafios. Ele sacrifica suas vontades em prol de um bem comum; é justo, corajoso e faz de tudo para evitar ferir inocentes em sua jornada. Um exemplo disso é Regina em Seas.
Adriana Esteves como Regina


2. Anti-Herói  

É um tipo especial de herói; é o personagem que faz as coisas certas, mas por métodos nada legais. Sabe-se que, geralmente, heróis preferem que seus inimigos paguem por seus crimes na prisão, mas o anti-herói não crê na justiça dos homens e acha mais prático eliminar do planeta (ou pelo menos dar uma lição).

É o arquétipo que mais as pessoas se identificam porque o anti-herói é movido por sentimentos inferiores, como raiva, egoísmo e desprezo pelas normas da sociedade; sua ironia e senso de humor revelam uma criatura inteligente, mas mal vista da turma. Sua personalidade pode, por vezes, confundir-se com a do vilão (e dependendo do nível de anti-heroísmo, pode tornar-se um vilão mesmo), mas quase sempre, o anti-herói ainda preserva bons sentimentos.

É o Justiceiro da Marvel, a Mulher-Gato da DC e, no nosso MV, é a Christina Monroe de Cruel Intentions, a Martha de Marcas da Vida e o Nilo Rodrigues de Anti-Herói, próxima série da WebTV.

Frank Castle em Justiceiro; Vera Farmiga como Christina Monroe em Cruel
Intentions



3. Vilão 

O oposto do herói. Fonte de conflito. Mesmo com "qualidades" semelhantes a de um anti-herói, o vilão não tem uma missão nobre e seu maior objetivo é tirar o herói do caminho para seguir seu plano, seja dominar o mundo, seja casar com a amada, seja ser dono de uma grande empresa. Ele não se redime, não tem sentimento de nobreza e acaba sendo a sombra do herói, porque, por vezes, heróis e vilões têm passados sofridos, mas tomaram rumos diferentes.

Vilões não tornam-se bonzinhos, não se transformam porque, por exemplo, se apaixonaram; isso é coisa de anti-herói. O ódio do vilão está atrelado ao fato de que, mesmo com todas as maldades caindo sobre o seu oposto, ainda assim o herói não sucumbe. É o dr. Hannibal Lecter de O Silêncio dos Inocentes e, no nosso MV, o Cipriano de Raíza.

Hannibal Lecter em O Silêncio dos Inocentes; Cipriano em Raíza



4. Mentor  

É o guia do herói, a pessoa que dará conselhos para que o personagem siga a jornada. Pode ser o pai, a mãe, o filho, espírito santo e amém (parei!). Na verdade, o mentor costuma ser o mais velho e, nem sempre, suas atitudes parecem boas.

5. Pícaro 

É o alívio cômico de tramas tensas. Você já reparou que muitos filmes de terror possuem um personagem que adora fazer piada, fala algo que ninguém mais tem coragem de falar, é bem desconstruidão da porra? Pois é, filmes como a saga Alien quebram a tensão quando um personagem brinca com a situação perigosa (mesmo você sabendo que cabeças, literalmente, vão rolar). Mas o alívio cômico também encontra-se em qualquer trama dramática, e ele pode dividir-se em outros arquétipos como vilão ou herói. É o Jack Sparrow em Piratas do Caribe (também anti-herói) e, no MV, o Mazinho em Gato Preto.

Jack Sparrow em Piratas do Caribe; Mazinho em Gato Preto


6. Metamorfo 

Ou Camaleão, como preferir. Esquisito, né gente? Lembrei do Alien (de novo). É o arquétipo que deixa uma dúvida no ar: Ele é aliado ou vilão? Suas atitudes põem em xeque se está defendendo o mesmo lado do protagonista ou não. É o amigo que vira inimigo ou vice versa. Vale lembrar de Jayme Matarazzo em Seas.

Jayme Matarazzo como Caio em Seas



7. Guardião do Umbral


Ou guardião do limiar. É o desafio a ser enfrentado pelo herói para cumprir sua missão. Pode ser o aliado do vilão (capanga, cúmplice, capataz, braço direito...), um lugar perigoso onde o herói, após atravessar, ganha experiência e livra-se do medo, ou um sentimento que ele precisa se livrar para seguir seu destino. Fácil pensar nesse arquétipo quando lembramos que, para derrubar o vilão em seu território é preciso derrubar os guardas.



Não é necessário que todos eles estejam em seu enredo, mas dominar alguns deles pode ser a chave para não matar o personagem, só porque perdeu sentido. Personagens não perdem sentido à toa; eles não têm personalidade e trajetória definidas.

Com esses arquétipos na mão, será que agora você consegue definir os seus personagens?


Ok, então. Até a próxima, pipow!


2 comentários:

Alexandra Miguel disse...

Bom artigo!

Cristina Ravela disse...

Obg pelo comentário, volte sempre!