PSI | Minissérie mexeu com o psicológico dos personagens | Resenha

Cristina Ravela
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Minissérie em 4 capítulos da CyberTV, PSI trouxe mistério e loucuras em seu enredo.

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Review de PSI.

O que você seria capaz de fazer por amor a alguém? Foi assim que o autor Samuel Brito (A Cesareia) iniciou a divulgação de PSI, sua minissérie em 4 capítulos. Com uma história envolvendo psicanalista e uma garota desaparecida, PSI prometia ser bastante diferente da antecessora do autor.

Trata-se da história do psicanalista Conrado, mais atormentado pelas loucuras de sua esposa Raquel, do que pelo motivo da inquietação dela: o sumiço da filha, Luíza. Ele, então, recebe em seu consultório outro atormentado, o doutor Anthony, que sabe-se lá porque cargas d'água, sofre por algo do passado.



Antes de iniciar essa jornada chamada resenha, devo ressaltar que temos SPOILERS! Se você não leu PSI e detesta spoiler, melhor parar por aqui.

Muito bem...Vejo que você já leu, ou não leu, mas é curioso 🤔. Vamos lá. Fiz uma análise e sintetizei tudo que vi. Bora!

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A acusação sem fundamento


Quando você termina de ler uma história de mistério, você também costuma voltar ao início para ver se tudo faz sentido? Pois é, quando finalizei PSI, tive certeza de uma coisa: desde o início, Conrado (56 anos) se mostrou um péssimo psicanalista. Por quê?

De cara, seu primeiro paciente da história seria a esposa, Raquel, que conversava com uma boneca, achando ser a filha desaparecida. No entanto, sem conseguir resolver esse problema de ordem familiar, Conrado tentou resolver o de Anthony (30 anos), renomado neurocirurgião.

Mas, mostrando que com a idade você também pode acumular sandices, Conrado, convicto do diagnóstico, após saber que seu paciente esteve em Nova Jersey há alguns anos (e local de desaparecimento de Luíza), conclui que Anthony está atormentado por um crime cometido.

Quem acusa baseado em convicções?



Ok, era apenas coisa da cabeça dele, sinal de que merecia férias, mas passar isso pela cabeça dele só por causa da cidade...

A morte inesperada


Anthony não conseguiu uma solução para o seu problema, fingia até que estava tudo bem, mas acabou por se suicidar. Achei bacana mostrar que nem todo mundo que sorri, está feliz, fora que foi um bom término para um primeiro capítulo. Mas fiquei chateada porque era um dos personagens que salvava a minissérie.

Sim, o cara depressivo, boca suja, com diploma debaixo do braço tinha muito mais atrativos que os outros personagens. Após saber de sua morte, vale destacar a frase de Conrado: "Mais um na minha conta". Causou a morte de outros, né, meu filho?



Raquel é outra com boas doses de vilanias. Muito ódio dessa mulher que mais parecia fingir que estava doida.

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Faltou carisma e verdade em PSI


Um dos maiores obstáculos na hora de escrever é impor a verdade em seus personagens e situações. Mesmo uma história de fantasia precisa ser verossímil dentro de sua proposta. Infelizmente, PSI pecou em vários pontos.

Para explicar isso, fiz uma lista com os personagens em destaque que falharam em algum momento:

ESTELA - Esposa de Anthony. Recomendou o doutor Conrado para o marido tratar de seus fantasmas do passado, mas acabou viúva. Em um dado momento, ela se comporta como se não tivesse sofrido uma dolorosa perda, como nessa cena:

Amplie, faz favor.


RAQUEL - Esposa de Conrado. Trata uma boneca como se fosse sua filha. Alternando entre a esquizofrenia e a lucidez, percebe-se que Raquel é arrogante, metida a phyna e sem empatia. Ao resolver o caso da filha dada como morta, ela simplesmente passa a se comportar "normal". A diferença é que ela não conversa mais com a boneca. Ela curou do problema mental? Ou realmente fingia sabe-se lá o porquê?

CONRADO - O médico que virou monstro. Sem provas alguma, acusou Anthony de algum crime em Nova Jersey. Após o suicídio de Anthony, resolveu manchar sua reputação acusando-o formalmente de matar Luíza. Detalhe: NÃO FOI APRESENTADA PROVA ALGUMA. Mas, beleza, um doutor foi comprado em uma rápida conversa:

Amplie e leia esse início de conversa.



É claro que em uma trama, a gente não precisa se prender aos detalhes de uma investigação minuciosa, o trabalho do Ministério Público, juiz, etc, desde que isso não seja a pauta da obra.

E, nesse caso, era pauta. O médico faz uma acusação, suborna juiz, sendo algo determinante para o final, e NADA foi mostrado como forma de convencer as pessoas da história de que a acusação foi verídica.

Resumindo, Conrado resolveu acusar um falecido pela suposta morte de Luíza por amor a Raquel, para vê-la feliz. Digamos que ele colocou um band-aid na ferida sem tratar a ferida, de fato. Mostrou que, além de ser péssimo psicanalista também dissemina fake news, veja:

Amplie, faz favor.


Além de alguns diálogos desnecessários, a ideia de cometer um crime por amor a alguém costuma dar certo quando há forte estrutura para isso. Tive a impressão, no entanto, de que o autor de PSI estava com pressa de chegar no ponto alto da história, que era a acusação e o plot twist: Luíza está viva!

Aparentemente, Luíza trabalha de prostituta no cassino situado no porão de um navio. Conrado, putasso porque isso causaria mais reviravolta que o atual governo e poderia arruinar sua carreira - e liberdade - ameaça matá-la. To be continued. Parece que teremos uma 2ª temporada.

Infelizmente, apesar de um bom primeiro capítulo, a história não me prendeu. É uma minissérie cheia de inconsistências, pequenos erros de crase, e uma pressa para contar o drama de um médico que faz qualquer coisa para ver a esposa feliz, mas se esbarra em vigas frágeis demais para sustentar o roteiro. No fim, todos tinham algum problema psicológico. Ao menos o título fez uma boa referência.

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